Nilton Kamigauti

Em construção

1) Psicologia Analítica:

 

Textos diversos:   

 

Sobre a Psicoterapia

  

Ansiedade

  

Depressão

  

Perdas

  

Mentira

  

Ciume e Traição

  

Crise

  

Relacionamentos (ensaio)

  

Sonho

 

Conceitos:   

Consciente e Inconsciente

  

Inconsciente Pessoal e Sombra

  

Compensação (Psique auto reguladora)

  

Complexos

  

Ego

  

Inconsciente Coletivo e Arquétipos

  

Arquétipos polarizados

  

Enantiodromia

  

Energia Psiquica

  

Função Transcendente e Símbolo

  

Persona

  

Self e Unus Mundus

  

Processo de Individuação

  

Fase Urobórico, Matriarcal, Patriarcal, Alteridade e Cósmico

  

Abordagem Corporal

 

Sobre a Psicoterapia


 

A palavra "psicologia" deriva do grego "psique" (alma, mente) e "logos" (estudo, razão), constituindo-se como a ciência que investiga os processos e fenômenos da mente humana. Já "psicoterapia" combina "psique" (alma, mente) e "therapeia" (cuidado, tratamento), designando uma prática clínica voltada ao cuidado integral da vida psíquica. O modelo psicoterapêutico distingue-se fundamentalmente do modelo médico tradicional, que tende a centrar-se na eliminação dos sintomas como critério principal de cura. A psicoterapia profunda transcende essa perspectiva, visando não apenas à remissão sintomática, mas à transformação estrutural da dinâmica psíquica do indivíduo de forma sistêmica. Essa abordagem parte do pressuposto de que o ser humano é constituído por múltiplas dimensões inter-relacionadas - consciente e inconsciente, mente e corpo, objetivo e subjetivo - e que os sintomas geralmente refletem e afetam diversas esferas da vida pessoal, relacional e social.

 

A psique, ou mente humana, pode ser compreendida como um sistema complexo composto por múltiplas dimensões interdependentes. Sua divisão em partes distintas é adotada apenas por fins didáticos, uma vez que, na realidade, todos os sistemas e fenômenos psíquicos operam simultaneamente e de forma integrada, constituindo um todo dinâmico e indissociável.

 

 

Na psicoterapia profunda, busca-se compreender o dinamismo consciente e inconsciente que subjaz aos sintomas apresentados, promovendo a ampliação da consciência e a transformação da pessoa em suas dinâmicas psíquicas, capacidades e postura diante da vida. Para tanto, empregam-se técnicas adaptadas às necessidades específicas de cada paciente.

 

Cada indivíduo é singular: história pessoal, contexto cultural, dinâmica familiar e experiências únicas constituem a singularidade de cada sujeito. Dessa forma, os tratamentos devem contemplar características individuais tanto em forma quanto em conteúdo. Ao mesmo tempo, todos compartilhamos dimensões coletivas - pertencemos a grupos, sociedades, culturas e à mesma espécie - o que torna possível o emprego de técnicas comuns da psicologia, respeitando-se simultaneamente as particularidades individuais. Os resultados, portanto, são específicos a cada sujeito: mesmo que o objetivo seja o desenvolvimento e o tratamento da personalidade humana, cada pessoa chegará a conclusões e transformações únicas, seguindo suas próprias particularidades - processo que Jung denominou individuação.

 

Nesse sentido, a psicoterapia analítica diferencia-se do aconselhamento psicológico, pois não prescreve caminhos nem impõe escolhas. Ao contrário, favorece que o paciente tome suas próprias decisões com liberdade, responsabilidade e o maior grau possível de consciência.

 

O tempo de tratamento na psicoterapia profunda difere fundamentalmente da concepção de tempo imediato que caracteriza a sociedade contemporânea. Vivemos em uma cultura de resultados rápidos, onde a demora por respostas gera frustração e desconfiança - basta observar a impaciência diante de exames médicos adicionais ou de qualquer processo que exija maior investimento de tempo e esforço. Contudo, no âmbito do mundo interno e subjetivo, o tempo opera de forma distinta: processos psíquicos genuínos demandam tempo, dedicação e trabalho consistente.

 

Os budistas expressam essa compreensão com sabedoria ao afirmar que o tempo necessário para curar uma doença é proporcional ao tempo que se levou para formá-la. Sob a perspectiva da psicologia analítica, quando a psique inicia um processo de desequilíbrio - que pode culminar em uma doença instalada - essa própria perturbação já representa uma tentativa de compensação de uma postura unilateral inconsciente. Em outras palavras, no momento em que o desequilíbrio se inicia, inicia-se também o processo de reequilíbrio.

 

Assim, a psicoterapia profunda não é um tratamento de resultados imediatos, tampouco se encerra em poucas sessões. O tempo de tratamento é indeterminado e singular: depende do ritmo e do processo de cada pessoa, de até onde ela deseja aprofundar seu autoconhecimento e seu trabalho interior, ou simplesmente do ponto em que se restabelece um equilíbrio satisfatório.

 

Pode parecer, a alguns, que a psicoterapia profunda não oferece vantagens além da eliminação dos sintomas. Contudo, vale refletir: quanto vale o autoconhecimento genuíno? Quanto vale a reestruturação e o desenvolvimento da própria personalidade? Qual o valor de tornar-se uma pessoa mais íntegra, de perceber-se crescendo internamente, fluindo com maior liberdade e segurança diante das adversidades da vida?

 

O que se adquire por meio da psicoterapia não é um produto descartável nem um alívio passageiro: é um aprendizado profundo que se integra à personalidade e acompanha o indivíduo por toda a vida. Nesse sentido, os investimentos realizados são proporcionais aos ganhos obtidos. Tempo, trabalho, dedicação e seriedade constituem a energia investida no processo terapêutico - e o retorno é diretamente proporcional a essa entrega

 

No contexto corporativo e globalizado contemporâneo, a informação deixou de ser um diferencial competitivo. O novo diferencial reside na qualidade da personalidade de cada indivíduo: dinamismo, integridade, equilíbrio emocional, flexibilidade, competência, sociabilidade, liderança e adaptabilidade são atributos cada vez mais valorizados nas relações profissionais e humanas.

 

Nesse cenário, a psicoterapia constitui um recurso poderoso para o desenvolvimento pessoal e profissional. Ela contribui significativamente para o autoconhecimento, para o desenvolvimento interno, para a capacidade de acolher-se e compreender-se com maior profundidade, e para a construção de novos recursos psíquicos internos. Assim como uma carreira sólida não se constrói da noite para o dia, o autoconhecimento genuíno também exige tempo, consistência e comprometimento - mas, quando bem conduzido, proporciona uma base psíquica sólida e duradoura que sustenta todas as dimensões da vida.

 

No contexto corporativo e globalizado contemporâneo, a informação deixou de ser um diferencial competitivo. O novo diferencial reside na qualidade da personalidade de cada indivíduo: dinamismo, integridade, equilíbrio emocional, flexibilidade, competência, sociabilidade, liderança e adaptabilidade são atributos cada vez mais valorizados nas relações profissionais e humanas.

 

Nesse cenário, a psicoterapia constitui um recurso poderoso para o desenvolvimento pessoal e profissional. Ela contribui significativamente para o autoconhecimento, para o crescimento interno, para a capacidade de acolher-se e compreender-se com maior profundidade, e para a construção de novos recursos psíquicos. Assim como uma carreira sólida não se constrói da noite para o dia, o autoconhecimento genuíno também exige tempo, consistência e comprometimento - mas, quando bem conduzido, proporciona uma base psíquica sólida e duradoura que sustenta todas as dimensões da vida.

 

Ao buscar psicoterapia, além de selecionar um profissional sério e competente, é fundamental observar sua própria disposição para realizar um trabalho interno com comprometimento e seriedade. A postura imediatista - tão comum na contemporaneidade - pode revelar, em última instância, uma forma sutil de desvalorização de si mesmo. Cuidar-se com profundidade exige paciência, abertura e uma atitude de genuíno respeito consigo mesmo - pois o processo terapêutico é, antes de tudo, um ato de reconhecimento do próprio valor.

 

Quanto aos custos financeiros de uma psicoterapia:

O investimento financeiro em psicoterapia é uma das dimensões que torna o tratamento viável e sustentável. O valor pago remunera o profissional por seu conhecimento, tempo e dedicação, além de contemplar as condições físicas do espaço terapêutico e os recursos necessários ao exercício da prática clínica.

 

O dinheiro é, historicamente, um tema carregado de ambivalências e preconceitos na nossa sociedade. Como símbolo complexo, funciona simultaneamente como parâmetro de valor, poder, status, culpa e vergonha. Mensurar quanto vale o trabalho interno é, portanto, uma tarefa quase tão complexa quanto o próprio simbolismo do dinheiro.

 

No contexto terapêutico, a relação com o investimento financeiro revela, de forma proporcional às possibilidades de cada um, o grau de disposição e de valorização que o paciente atribui ao próprio tratamento. Mais do que isso, a forma como cada pessoa lida com o dinheiro já oferece importantes indicativos de sua dinâmica psíquica interna - tornando-se, muitas vezes, material valioso para o próprio processo terapêutico.

 

A maioria dos profissionais que atuam com psicoterapia profunda compreende que o tratamento raramente possui prazo determinado de encerramento. Diante disso, mesmo quando o paciente não se encontra em boa situação financeira - condição que, em si mesma, pode constituir material clínico relevante - é prática comum negociar valores acessíveis e viáveis para ambas as partes.

 

O sucesso do tratamento, contudo, não depende exclusivamente do investimento financeiro. Pagar pelo atendimento é condição necessária, mas insuficiente: o envolvimento genuíno com o próprio processo terapêutico é indispensável para um trabalho bem-sucedido. Essa mesma dedicação e comprometimento são, igualmente, esperados da parte do psicoterapeuta. A psicoterapia profunda é, portanto, um processo construído a duas mãos, onde o engajamento mútuo determina a qualidade e a profundidade dos resultados.


 

 

Se você leu este texto já deve estar a caminho da busca de uma grande realização. Boa sorte!

 

 

Ansiedade

 

 

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Depressão

 

 

 

 

Perdas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mentira - Reflexões

 

 

 

 

 

Ciúme e Traição - Reflexões

 

 

 

 

Crise

 

 

 

 

 

 

Relacionamentos (ensaio)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sonhos

 

 

 

 

 

Taoísmo - Conceitos Relevantes


 

Entre as filosofias orientais mais conhecidas está o taoísmo, assim como o budismo, o zen-budismo, o hinduísmo, o xintoísmo. O taoísmo pode ser visto como uma ciência, pois, contém conhecimentos, ou estudos acumulados a respeito do homem e da natureza e das suas interações.

 

A ciência compõe-se de um conjunto de conhecimentos sobre fatos ou aspectos da realidade (objeto de estudo), expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa. Esses conhecimentos devem ser obtidos de maneira programada, sistemática e controlada, para que se permita a verificação de sua validade. (BOCK, p. 19, 1999)

 

O taoísmo também pode ser considerado uma filosofia, ou filosofia religiosa. Filosofia enquanto doutrina fundamentada em um conjunto de idéias ou conceitos,



Além de análise, reflexão e crítica, a Filosofia é a busca do fundamento e do sentido da realidade em suas múltiplas formas indagando o que são, qual sua permanência e qual a necessidade interna que as transforma em outras. O que é o ser e o aparecer-desaparecer dos seres? (CHAUI, p.17, 2000)



e religião enquanto doutrina fundamentada no estudo e/ou culto do sagrado,


 

As especulações em torno desse tema [a origem e o significado da existência humana] formam um corpo de conhecimentos denominado filosofia. A formulação de um conjunto de pensamentos sobre a origem do homem, seus mistérios, princípios morais, forma um outro corpo de conhecimento humano, conhecido como religião. (BOCK, p. 19, 1999)

[...] é importante distinguir os dois ramos do taoísmo: 1. O taoísmo como filosofia (Tao Chia), como doutrina não religiosa; e 2. O taoísmo como religião (Tao Chiao), como culto, seja este profano (taoísmo popular), ou sagrado. O Primeiro é representado pelos conhecidos clássicos dos séculos VI e IV a.C. (Lao-tzu, Chuang-tzu), enquanto o último foi organizado pela primeira vez, como culto influenciado pelo budismo, por Chang Ling (cerca de 150 d.C.), na dinastia Han mais recente, após a introdução do budismo na China por volta do início da era cristã. No entanto, ambas as formas do taoísmo existiram simultaneamente na China antiga, uma ao lado da outra. (MIYUKI, 1995, p. 36)

 

Diferente da ciência tradicional ocidental, que tem uma característica analítica, ou seja, reparte os seus estudos em diversas partes, faculdades, e/ou áreas, como por exemplo: botânica, engenharia, psicologia. O taoísmo, como ciência oriental, tem característica sintética, ou seja, uma área de estudo se encontra interligada a outras áreas de estudo, como por exemplo: os treinamentos de energia (Chi Kung), têm ligação com a medicina e ambos tem conhecimentos fundados na filosofia. “A mente oriental, quando considera um conjunto de coisas, aceita-o como ele é, mas o ocidental divide-o em pequenas porções, em entidades separadas.” (JUNG, 1987, p. 64, par. 143)



Entender o Tao Gun Chuan como o treino que condensa os três aspectos: “I” medicina, “Chuan” marcial e “Chien” caminho da iluminação, treinamento interior. [...] A filosofia taoísta é a mãe da medicina e da ciência [...] A medicina vista como um todo forma o Tao [...] Treinamento do Tao contém a verdadeira medicina (LIN, [entre 1988 e 1994])

 

 

Filosofia, Energia e Medicina

 

 

 

Segundo o mestre Liu Pai Lin (LIN, [entre 1988 e 1994]), podemos estudar o taoísmo baseados em três áreas: a filosofia, a energia e a medicina. Assim, A filosofia se refere aos estudos pertencentes aos princípios teóricos fundamentais. Os estudos da energia (Chi) enquanto, observação, desenvolvimento, quantificação, qualificação, manipulação, circulação, captação, etc. E quanto aos estudos da medicina (medicina tradicional chinesa), conhecimento e manipulação do organismo humano, enquanto patológico ou sadio. Como dito anteriormente, as três áreas se encontram intimamente interligadas. E a separação se faz para facilitar a didática. “A filosofia taoísta é a mãe da medicina e da ciência” (LIN, [entre 1988 e 1994]), “Treinamento do Tao, é também medicina elevada” (LIN, [entre 1988 e 1994].), “Existem três aspectos importantes: Medicina, energia, e iluminação. O Tao Gun Chuan engloba esses três aspectos.” (LIN, [entre 1988 e 1994]).

 

 

Gênese Taoísta

 

 

 

No taoísmo existe a teoria a respeito da criação, assim como podemos observar em diversas culturas os mitos de criação. A visão do taoísmo sobre a criação se estende além da explicação do inícios dos tempos, mas faz parte dos conceitos fundamentais que permeiam todas as áreas de estudo desta ciência. Sobre conceitos me refiro a:

 

 

O que é compreendido por um termo, em particular, um predicado. Possuir um conceito é ter a capacidade de usar um termo que o exprima ao fazer juízos; essa capacidade está relacionada com coisas como saber reconhecer quando o termo se aplica, assim como poder compreender as conseqüências de sua aplicação. (BLACKBURN, p. 66, 1997).

 

 

Uma característica marcante no taoísmo é que as forças que interagiram na criação, na gênese continuam até o presente, ou seja depois de iniciada a criação esta não mais cessou, e tudo então deriva ou se refere em última instancia as leis da criação.
Podemos dividir a gênese taoísta em três etapas: O Extremo Vazio (Wu Chi), A Suprema Unidade (Tao), e as polaridades Yin e Yang (Tai Chi)#

 

 

 

 

 

Wu Chi – O Extremo Vazio

 

 


Figura 1 - Wu Chi

 

 

 

Todas as coisas sob o Céu nascem no Ser.
O Ser nasce no Não-ser. (TZU, 1987, p. 79)

 

 

 

A figura 1 representa um circulo aberto, aberto porque ainda não tem forma. No entanto, muitos autores representam o Wu Chi como um circulo fechado, ver em WILHELM in TZU, p 178, 1987, em Bloise, p. 36, 2000, entre outros.
Wu Chi se refere ao vazio, no entanto, não é igual à idéia do nada. O vazio ao qual se refere o Wu Chi é o potencial de tudo, de onde vem todas as coisas, por tanto, não se refere ao nada, ao contrário se refere ao germe de tudo. Wu Chi contém tudo que pode vir a ser, existir, mas ainda se encontra na não-exitência, não-ser. Ou seja, tudo que existe antes de existir pertencia apenas à esfera da não-existência, do Wu Chi. Depois que algo passa para esfera da existência expressa o potencial que estava contido na esfera anterior da não-existência.

 

 

 

#O mistério mais profundo do mistério seria então o que é chamado de “Wu Gi” (o não-princípio, que fica além do Tai Gi), no qual todas as diferenças ainda não estão separadas e que se costuma representar simplesmente por um círculo. É apenas, por assim dizer, a possibilidade da existência; é em certo sentido, o caos. (WILHELM in TZU,1987, p. 178)

 

 

Tao – A Suprema Unidade

 

 


Figura 2 - Tao


O Tao que pode ser pronunciado não é o Tao eterno.
O nome que pode ser proferido não é o Nome eterno.
Ao princípio do Céu e da Terra chamo “Não-ser”.
À mãe dos seres individuais chamo “Ser”.
Dirigir-se para o Ser leva à contemplação das limitações

espaciais.
Pela origem, ambos são uma coisa só,
Diferindo apenas no nome.
Em sua Unidade, esse Um é mistério.
O mistério dos mistérios é o portal por onde entram

as maravilhas (TZU, 1987, p. 37)

 

A figura 2 representa um círculo com um ponto no centro. O círculo fechado representa a forma, a totalidade e ao mesmo tempo o ponto representa o centro, a unidade.


Por definição o Tao não é definível, muitos autores mesmo tendo tal conhecimento tentaram de alguma forma comentar a respeito do que vem a ser o Tao. “O Tao que pode ser pronunciado não é o Tao eterno.” (TZU, 1987, p. 37). Sabemos portanto que não é possível apreender o Tao em sua magnificência, ou totalidade, o que podemos é tecer singelos ensaios a seu respeito, já sabendo que por mais que se tente o Tao sempre estará além de qualquer explicação. Assim, irei circundar a idéia do Tao sob alguns aspectos.

 

Tao é a Realidade Insondável, o Brahman Absoluto, a Divindade Transcendente, que como tal, não é acessível ao nosso conhecimento finito. Tao, o Ser Ontológico, ultrapassa todo o nosso conhecer lógico. Só conhecemos a Divindade Transcendente na forma do Deus Imanente. O nosso conhecer finito finitiza o Ser Infinito. (ROHDEN, 1988, p. 24)

O Tao enquanto unidade e o Wu Chi enquanto vazio, poderiam resultar em um composto matemático como sugere RODEN (1988, p. 24-25),

 

Em linguagem de matemática diríamos: o “1” representa o Todo da Essência Infinita; o “0” simboliza o Nada da não-Essência; mas, se colocarmos o Nada da não-Essência do lado direito do Todo da Essência, resulta o Algo da Existência: 10, 100, 1000, etc.

 

Seguindo o raciocínio anterior sobre o Wu Chi, não-existência, podemos dar continuidade afirmando que o Tao se refere à existência, “Ao princípio do Céu e da Terra chamo “Não-ser”. À mãe dos seres individuais chamo “Ser”. (TZU, 1987, p. 37). Mas isso não estaria totalmente correto, pois o Tao também permeia a esfera da não-existência, já que tudo que existe provem do Tao,

 

Falando do Tao, Lao-Tzu preocupa-se em afastar tudo o que possa lembrar algum tipo de existência. O Tao está num nível totalmente distinto de tudo quanto pertence ao mundo dos fenômenos. É anterior ao céu e à Terra; não é possível dizer de onde vem; é anterior ao próprio Deus. Ele se baseia em si mesmo, é imutável e está em eterna circulação. É o princípio de céu e da Terra, isto é da existência espacial e temporal. É a origem de todas as criaturas; outras vezes é designado também como o ancestral de todos os entes. Há um antigo versículo que o compara ao espírito do vale vazio, o misterioso feminino que flui ininterruptamente semelhante a uma queda-d´água e cuja porta misteriosa é a raiz do céu e da Terra. (WILHELM em TZU, 1987, p. 129)

 

Tao e Wu Chi de certa forma se confundem, pertencem a uma zona difícil de se distinguir por isso, muitas vezes soam como conceitos similares. Segundo o mestre Liu Pai Lin, o Tao é a energia primordial, “Tao e Wu Chi, são muito difíceis de se definir, mas tentamos definir como aquela energia primordial, aquele vazio primordial.” (LIN, [entre 1988 e 1994].)


Outra forma de explorar o conceito poderia ser através do ideograma Tao, apesar de sua difícil tradução. Segundo Richard Wilhelm (TZU, 1987), “a palavra chinesa parte do sentido de “caminho”, que a partir daí, se amplia para “direção”, “estado” e, em seguida, para “razão”, “verdade”. Outra tentativa de tradução poderia ser:

Mestre LÜ DSU dizia: àquilo que é por si mesmo denominamos sentido (Tao). O sentido não tem nome, nem forma. É o ser uno, o espírito originário e único. Ser e vida não podem ser vistos, está contido na luz do céu. (JUNG, p. 97, 1986b)

Podemos ver o Tao enquanto uma filosofia de vida, visão de mundo, postura diante da vida e da natureza. Na análise do ideograma Tao (Figura 3) o mestre Liu Pai Lin diz: “podemos entender o Tao como “seguir o próprio caminho”, isto é estar de acordo com a natureza.” (SAÚDE, 1994, p.16)


O Tao enquanto vivência, como visto anteriormente, não é apreensível através da mente racional humana, mas pode ser experimentado ou vivenciado,

Se perguntarmos agora o que Lao-Tzu queria dar a entender por Tao, teremos de recorrer a vivências místicas para chegarmos à compreensão. Ele é semelhante a uma concepção como a que encontramos também no Budismo Mahayana. Através do recolhimento e da meditação, chega-se ao estudo de sarmadhi, no qual psique ultrapassa o consciente e submerge nas esferas da superconsciência. Quando são genuínas, essas vivências levam, de fato, para profundezas do ser que ultrapassam a totalidade do mundo fenomênico. A forma exterior dessas ocorrências é conhecida por determinados processos da Parapsicologia e tornou-se objeto de pesquisas científicas. Mas a vivência do próprio Tao jamais será objeto da pesquisa científica. Trata-se, no caso, de um arquifenômeno, no mais elevado sentido, e que só podemos admirar respeitosamente, mas não definir ou sondar. Com a experiência do Tao se passa o mesmo que com todas as experiências imediatas. [...] Toda a Parapsicologia não pode nos proporcionar essa vivência; para compreendê-la é preciso ter passado por ela. Mas, para quem tem uma vivência correspondente as palavras de Lao-Tzu são imediatamente compreensíveis e adequadas pra fazê-lo progredir em seu caminho. (WILHELM em TZU,1987, p. 131)

 

Meu amigo McDougall tem um aluno chinês e perguntou-lhe: “O que é Tao?” Atitude tipicamente ocidental. O chinês explicou-lhe o que era, e o professor replicou: “Ainda não entendi”. Aí o aluno foi até à sacada e perguntou: “O que o senhor está vendo?” – “Uma rua, casa, gente andando, bondes, movimento”. “O que mais – “Árvores”. “O que mais?” – “Mais à frente há uma colina”. – “E o que mais?” – “O vento está soprando”. O chinês abriu os braços e disse: “Isso é Tao”. [...] Tao pode ser tudo. Uso uma outra palavra para designá-lo, mas ela é muito pobre. Chamo-a sincronicidade. (JUNG, 1987a, p. 63-64, par. 142-143)

Figura 3 - Fonte: Saúde e Longevidade, revista da Associação Tai Chi Pai Lin, 1994, p.16.

 

Uma história para ilustrar a vivência da unidade, e sua importância para os taoístas:

O discípulo praticava o “sentar na calma”, de repente fica ofegante.
O mestre pergunta “– O que assustou você?”
O discípulo responde “– Ouvi o silêncio, mestre. Eu senti todo o meu ser difuso, como uma nuvem... depois a chuva caiu do céu através de mim. Eu fazia parte de tudo e ainda era eu mesmo.”
Mestre “– Você experimentou a unidade.”
Discípulo “– Sim mestre. Nesta grande alegria, porém, senti como se estivesse morrendo. Foi isso que me assustou.”
O mestre leva o discípulo até uma árvore com bichos-da-seda.
Mestre “– Você conhece a lição do bicho-da-seda?”
Discípulo “– O bicho-da-seda morre, a borboleta vive, mesmo assim não são dois bichos separados, mas apenas um.”
Mestre “– Dá se o mesmo com o homem. Suas falsas crenças devem morrer, de modo que conheça o prazer do caminho. O que você sentiu no silêncio é real. Algo dentro de você está morrendo, e chama-se ignorância.”
(KUNG FU, 2005)

 

O Tao se aproxima da idéia de Deus, mas não no sentido de um governante antropomórfico, mas no sentido de um princípio gerador da vida e de todos os fenômenos existentes, “O Ser, o Tao, desdobra-se na realidade num mundo de fenômenos” (WILHELM em TZU, 1987,p. 132) como a mãe, ou a origem de tudo, ao mesmo tempo em que está contido em tudo, como uma força vital, o sopro de vida, tão essencial quanto sutil, a ponto de escapulir quando se tenta apreendê-lo até mesmo com o pensamento. É também o sentido de tudo, de onde viemos e para onde voltaremos, o Alfa e o Ômega. Apesar de que, por mais que se tente afastar Dele, todos estamos inteiramente mergulhados Nele, enquanto partes integrantes da Unidade. “o fato de não mencionarem Deus [taoísmo e budismo] evita muita assimetria na consciência [...] o Tao-te King, define o Tao de inúmeras maneiras, sempre cuidando em evitar a unilateralidade, o apego e a assimetria.” (BYINGTON, 1988, p. 72)

Tao significa o Absoluto, o Infinito, a Essência, a Suprema Realidade, a Divindade, a Inteligência Cósmica, a Vida Universal, a Consciência Invisível, o Insondável, etc. Nunca representa um indivíduo, uma pessoa, como Deus nas teologias ocidentais. (ROHDEN, 1988, p. 13).

 

Como tal, o Tao representa a coincidentia oppositorum par excellence, é “nem... nem” e, simultaneamente, “tanto... como” e abrange todos os opostos, como céu e Terra, homem e mulher, claro e escuro, bem e mal, alto e baixo, grande e pequeno, longe e perto, dentro e fora, importante e insignificante, ser e não-ser, etc. Todos esses atributos formam uma totalidade paradoxal, ao mesmo tempo dinâmica e harmoniosa. Poder-se-ia dizer que todas essas coisas são conceitos relativos, mas falando-se em termos psicológicos, essa coincidentia oppositorum é justamente o que forma o dinamismo da vida e corresponde ao “caráter antinômico do eu, que como tal, tanto é conflito como unidade. (MIYUKI, 1990, p. 24)

Então, temos alguns aspectos sobre o Tao: enquanto dialética entre não-existência e também existência, ser, fenômeno, etc; enquanto totalidade, unidade, infinito, essência, energia primordial, divindade, sincronicidade, etc; enquanto relatividade, sentido, caminho, direção, visão de mundo, etc; e enquanto experimentação, vivência. Estes poucos aspectos já demonstram a abrangência a que se refere o Tao.


Uma tentativa de descrever o indescritível é o uso das metáforas, ou das artes, como a poesia por exemplo, o próprio Tao te King é composto por 81 poemas, escritos por Lao Tsé, considerado o pai do taoísmo. Uma síntese dos aspectos levantados a respeito do Tao enquanto totalidade, energia, caminho e vivência, se encontra na citação com imagens poéticas da autora abaixo,

[...] o tao é como uma rede de energia em movimento contínuo, cheia de ondulações e vibrações, como um rio fluindo eternamente. Todos somos parte integrante dessa rede. A palavra tao significa tanto a ordem do universo quanto o ”caminho” para se harmonizar com essa ordem. (ALMEIDA, 2005, p. 112)

É comum encontrar outras metáforas utilizadas como complementos que especificam algumas características a respeito do Tao: o grande Tao, o pequeno Tao, o médio Tao, o Tao do Céu, o Tao da Terra, a Mãe, o espírito do vale, o espaço vazio da roda, o eixo, o insondável, etc.

 

 

 

Tai Chi – Yin e Yang


  O Tao é “Chi” ou energia vital. Existe na natureza uma energia criativa, dois sopros distintos o Yin e o Yang, que se unem num movimento pulsante
fazendo surgir todas as coisas na Natureza. (TAI CHI CHUAN, Liu Pai Lin, 1987)



 

 

Mestre Liu Pai Lin resume e interliga os conceitos anteriormente citados e agora acrescentando o Tai Chi (Figura 6), que é a união das polaridades chamadas de Yin e Yang de forma harmônica, equilibrada,


 

 


 

 

O que é Tai Chi? É Yin e Yang, que unidos é o Tao, a mãe é o Vazio. Tai Chi representa a existência, tendo Yin e Yang. A existência vem da não-existência. Wu Chi é a mãe do Tai Chi. Todas as existências físicas são Tai Chi, que foram surgindo do Wu Chi. (LIN, [entre 1988 e 1994])


 

 

 

Ou seja, o Wu Chi, extremo vazio, e o Tao, a suprema unidade, geram as polaridades Yin e Yang, o “um” gera o “dois”. Uma totalidade pode ser vista com pelo menos dois aspectos: em cima e em baixo, direito e esquerdo, dentro e fora, escuro e claro, masculino e feminino, etc. Mas, quando unidos equilibradamente ainda representam a unidade inicial.


A forma gráfica mais simples para representar a bipolaridade Yin e Yang seria se repartir um círculo ao meio (Figura 4).


 


 

Figura 4 – Divisão do círculo


 

 Aplicando o dinamismo da interação entre os opostos e mais a geração apartir do Wu Chi e do Tao, temos o Tai Chi Tu ou Hotu (figura 5) “O Hotu representa a geração do Tai Chi a partir do vazio” (WIKIPÉDIA, Yin Yang (Filosofia), 2008). Continuando a evolução gráfica, temos a representação do Tai Chi com todos os seus aspectos dinâmicos (figura 6).



 


 

Figura 5 – Tai Chi Tu ou Hotu.

 

 

 


 

 

 

 


 

Figura 6 – Tai Chi.

A teoria das Polaridades Yin e Yang

 

 

O ideograma Yin representa “nuvem de chuva” e o Yang representa “os raios de sol”.

Os estudantes da antigüidade utilizavam a água e o fogo para simbolizar as propriedades básicas de yin e yang. Isto quer dizer que as propriedades básicas de yin simulam as propriedades básicas da água, dentre elas a frieza, direção inferior, obscuridade, etc, enquanto as propriedades básicas de yang são similares às do fogo incluindo o calor, ascendência, claridade, etc. (ESCOLA DE MEDICINA TRADICIONAL CHINESA DE: BEIJING; SHANGHAI; NANJING; INSTITUTO DE ACUPUNTURA DA ACADEMIA DE MEDICINA TRADICIONAL CHINESA, 1995, p.35)

 


Como visto anteriormente, da unidade podemos extrair no mínimo dois aspectos, que no taoísmo são chamados de Yin e Yang. Onde um sempre está relacionado diretamente ao outro, já que ambos provém de uma mesma origem. Por exemplo, Yin enquanto: líquido, sangue, feminino, obscuro, sereno, frio, interior, descendente, inconsciente, noite, etc. E, em contra partida Yang: função, energia, masculino, claro, expansivo, quente, exterior, ascendente, consciência, dia, etc. Percebe-se que neste exemplo as características são contrapontos das características de um com o outro. Ou seja se a amostragem, ou o objeto observado for o dia inteiro, podemos observar os aspectos de dia e noite, ou em uma montanha, o lado claro e o lado escuro. A visão da bipolaridade é expressa com as características chamadas de Yin e Yang, contrapontos da totalidade.

  
  

A teoria yin-yang defende que todo objeto ou fenômeno no universo consiste de dois aspectos opostos denominados yin e yang, que são por princípio, conflitantes e interdependentes; além disso, a teoria defende que essa relação entre yin e yang é a lei universal do mundo material, o princípio e a fonte da existência de uma infinidade de coisas e a causa básica para o florescimento e o perecimento das coisas. (ESCOLA DE MEDICINA TRADICIONAL CHINESA DE: BEIJING; SHANGHAI; NANJING; INSTITUTO DE ACUPUNTURA DA ACADEMIA DE MEDICINA TRADICIONAL CHINESA, 1995, p.35)

  
  


Dentro do Yin existe o princípio do Yang, dentro do “peixe preto tem o olho branco”, e vice-versa. “O homem aparentemente é yang , yang por fora yin por dentro. A mulher é yin por fora e yang por dentro [...] Dentro do homem tem o princípio da mulher e dentro da mulher tem o princípio do homem.” (LIN, [entre 1988 e 1994]). Dentro de um há a semente do outro, que é chamado de “Jovem” Yin ou Yang. Assim, como na figura 7, no extremo nasce à semente do oposto, no caso o Jovem Yang, que cresce passando pelo Médio Yang, e Extremo Yang, quando surge o Jovem Yin em seu interior, e no declínio Velho Yang, o Jovem Yin começa a crescer. Por exemplo, o dia começa a meia-noite no Jovem Yang. Até cerca de 6:00h. da manhã a energia do dia corresponderá a do Médio Yang. Ao meio-dia corresponderá ao Extremo Yang, quando nasce o Jovem Yin, onde começa a noite. E ao entardecer corresponderá ao Velho Yang. Próximo das 18:00h. a energia corresponderá ao Médio Yin, e a meia-noite no Extremo Yin, quando nasce novamente o Jovem Yang e o dia recomeça. O mesmo se dá com as fases da lua, estações do ano, desenvolvimento humano, ou a outros ciclos, correspondendo a uma curva senoidal.

 

Figura 7 – O progresso das energias Yin/Yang..