Nilton Kamigauti
1) Psicologia Analítica:
Textos diversos:
Mentira
Ciume e Traição
Crise
Relacionamentos (ensaio)
Sonho
Breve mais textos
Conceitos:
Consciente e Inconsciente
Inconsciente Pessoal e Sombra
Compensação (Psique auto reguladora)
Complexos
Ego
Inconsciente Coletivo e Arquétipos
Arquétipos polarizados
Enantiodromia
Energia Psiquica
Função Transcendente e Símbolo
Persona
Self e Unus Mundus
Processo de Individuação
Fase Urobórico, Matriarcal, Patriarcal, Alteridade e Cósmico
Abordagem Corporal
Psicologia significa: “psico” ou “psique” = alma, mente; “logia” = estudo. Ciência que estuda os aspectos da mente.
Psicoterapia significa: “psique” = alma, mente; “terapia” = cuidado, tratamento.
O modelo de tratamento da psicoterapia não é o mesmo que o modelo médico, que visa à eliminação dos sintomas como sinônimo de cura. A psicoterapia profunda envolve além da eliminação dos sintomas a transformação do dinamismo da pessoa de forma sistêmica, pois se tem a idéia de que o ser humano é constituído por diversos aspectos como: consciente e inconsciente, mente e corpo, objetivo e subjetivo e os sintomas costumam afetar e estar relacionado com diversas áreas da vida da pessoa.
A psique, ou a mente humana, também pode ser vista contendo outras diversas partes, que apenas por didática costuma ser discriminada, já que na realidade todos os sistemas e fenômenos ocorrem ao mesmo tempo quando vista como um todo.
Na psicoterapia profunda se procura compreender o dinamismo consciente e inconsciente que leva aos sintomas queixosos, promovendo a ampliação da consciência e a transformação da pessoa em suas dinâmicas, capacidades e postura de vida. Para isso são utilizadas técnicas que se adequam às necessidades do paciente. Cada pessoa é única, cada um de nós temos: história, cultura, família etc que nos tornam únicos, portanto, os tratamentos deverão conter características individuais quanto à forma e conteúdo, apesar de se trabalhar sob uma mesma “base”, como por exemplo: todos pertencemos a um grupo, sociedade, nação, raça, espécie, etc. e isso torna possível o emprego de técnicas em comum (a psicologia) ao mesmo tempo que se respeita as particularidades. Assim, os resultados são específicos a cada sujeito. Mesmo que se vise o tratamento e desenvolvimento da personalidade humana cada um chegará a conclusões únicas seguindo suas próprias particularidades. (veja Individuação) Neste sentido, a psicoterapia (junguiana) se diferencia do aconselhamento, pois, permite que o paciente tome suas próprias decisões, ou faça suas escolhas com liberdade e responsabilidade da forma mais consciente possível.
O tempo de tratamento também difere do conceito de tempo que atualmente vivemos (real time). Nossa sociedade, ou melhor, nós exigimos cada vez mais resultados rápidos, por exemplo, se o médico nos pede mais exames já ficamos desconfiados, ou no mínimo frustrados pela demora e pelo trabalho e o tempo que iremos nos dedicar em busca da “cura”. No caso do nosso mundo interno, o mundo subjetivo, o tempo não se processa da mesma forma; envolve geralmente, maior investimento de tempo e trabalho.
Os budistas costumam dizer que o tempo em que se levou para formar uma doença é o tempo que se leva para curar. Quando a psique começa a criar um desequilíbrio que pode chegar a uma doença instalada, esta atitude já é uma tentativa de compensação de outra postura unilateral inconsciente, em outras palavras, ao se iniciar o desequilíbrio já se iniciou o processo de re-equilíbrio. Desta forma, a psicoterapia não costuma ser um tratamento de um ou dois encontros. O tempo de tratamento na psicoterapia profunda é indeterminado, dependo do andamento de cada pessoa, ou até onde ela deseja se conhecer, se trabalhar, ou apenas ao ponto em que se re-estabelece um equilíbrio.
Pode parecer para alguns que à psicoterapia profunda não oferece vantagens além da eliminação dos sintomas. Mas, quanto vale um aprendizado de si mesmo? Ou uma reestruturação e desenvolvimento da própria personalidade? Quanto vale ser uma pessoa melhor, perceber-se usufruindo de um crescimento interno, fluindo mais livre e seguro diante das intempéries da vida? O que se pode adquirir com a psicoterapia não é um produto descartável, é uma aprendizagem que se soma a personalidade por toda a vida. Sendo assim, os investimentos que dispomos a fazer são proporcionais aos ganhos que teremos. Tempo, trabalho, dedicação, seriedade é a energia que se investe em um tratamento, e o retorno é proporcional a tudo isso.
Atualmente no mundo corporativo e no mundo globalizado a informação não é mais um diferencial. O novo diferencial é a personalidade de cada um: dinamismo, integridade, equilíbrio, flexibilidade, capacidade, sociabilidade, liderança, adaptabilidade, etc. A psicoterapia pode ajudar muito no autoconhecimento, no desenvolvimento interno, na capacidade de se acolher e se compreender, na capacidade de desenvolver novos recursos internos, etc. O autoconhecimento como uma carreira, não se faz da noite para o dia, quando bem feitos proporciona uma base sólida.
Quando for procurar psicoterapia, além de procurar um profissional sério e competente, procure observar sua própria disposição para realizar um trabalho interno com seriedade. Cuidado com a postura imediatista que acaba por desvalorizar a si mesmo, ou seja, procure uma postura de maior cuidado consigo mesmo.
Quanto aos custos financeiros de uma psicoterapia.
O valor que se paga para se fazer uma psicoterapia é uma das partes que torna o tratamento viável. O dinheiro é a remuneração do profissional que dedica conhecimento, tempo, trabalho, além das condições físicas do local de trabalho, material, etc. O dinheiro costuma ser “tabu”, carregado de preconceitos, é um símbolo intenso e complexo na nossa sociedade, costuma ser utilizado como parâmetro de valor, de recursos, de status, de culpa e vergonha, no entanto, mensurar quanto vale o trabalho interno é algo quase tão complexo quanto o próprio simbolismo do dinheiro. Costuma demonstrar (proporcionalmente ao quanto se possui de dinheiro) o quanto se está disposto e o quanto se valoriza o próprio tratamento, no caso de uma psicoterapia. Como se lida com dinheiro já nos mostra muito da nossa dinâmica interna.
A maioria dos profissionais que trabalham com psicoterapia profunda, tem em vista que o tratamento não costuma ter prazo de encerramento determinado e mesmo que o paciente não se encontre em boa situação financeira (e poderá ser tratado também mesmo que não for à queixa principal) costumam negociar valores accessíveis para ambos, paciente e psicoterapeuta. O sucesso do tratamento depende não só do dinheiro, não basta pagar e não se envolver com o processo. O dinheiro como já dito, tem muita importância enquanto uma parte que torna viável o tratamento, mas não é tudo. O envolvimento ao próprio tratamento é condição fundamental para um trabalho bem sucedido, é o mesmo que se espera da parte do profissional.
Se você leu este texto já deve estar a caminho, na busca de uma grande realização. Boa sorte!
A ansiedade é um estado de agitação interna, que dependendo do grau que se encontra, pode ser sadio, motivador ou patológico. Como qualquer desequilíbrio depende do grau em que se encontra. A ansiedade enquanto estado de inquietação interna provinda de situações reais iminentes, que exijam respostas do sujeito imediatas, pode ser motivadora e auxiliar na tomada de decisões e ação. Ainda em grau saudável a ansiedade provinda de preocupação ou antecipação de situações imaginárias futuras pode auxiliar no planejamento adequado dos passos dos procedimentos a se tomar para se alcançar o objetivo futuro. A ansiedade provinda de lembranças costuma estar relacionada a situações frustrantes, ou que o resultado não foi o esperado, e pode ser um incômodo que propicie a procura de outras formas de se lidar com situações parecidas.
Portanto, a ansiedade em grau sadio, pode ser um recurso humano motivador. Uma inquietação interna que motiva, impulsiona ao planejamento e a ação.
A ansiedade quando em grau acima do adequado pode gerar distúrbios, como os transtornos de ansiedade que podem variar de uma crise de ansiedade ao ataque de pânico. Pode estar relacionado com fobias (medos), traumas, compulsão, separação, uso de drogas, substâncias, estresse, etc. Ao contrário a baixa da ansiedade em demasia pode levar a depressão.
No geral a pessoa que sofre de ansiedade se “pré-ocupa”, antecipando os acontecimentos futuros em que julga que terá dificuldades. Tem dificuldade de planejar por etapas e aguardar o futuro chegar para então resolver as questões da melhor forma possível. Costuma apresentar baixa auto-estima, não acreditando que será capaz de lidar com a situação quando esta estiver acontecendo, e então se fica preso em fantasias e imaginações onde tenta encontrar soluções as suas questões, mas devido à descrença em si, a visão tende a ser pessimista, entra-se em estresse, pois para o cérebro mesmo as fantasias futuras são vividas no presente. Quando vivenciamos as possibilidades com uma visão pessimista, a ansiedade tende a aumentar. Ao invés de servir como agente motivador, a ansiedade muito alta pode paralisar, atingindo um estado de estresse e medo causando desconforto e sofrimento. O oposto a motivação. Pois, com o tempo, devido ao estresse, e as condições estruturais neurológicas, tende a iniciar outro circuito que leva a depressão. Portanto, a ansiedade e a depressão costumam aparecer juntas, numa auto-alimentação, dentro das patologias. E se oscila entre estados de ansiedade e depressão.
Há casos em que a ansiedade atinge graus insuportáveis como no transtorno de pânico, e a intervenção medicamentosa é necessária. Mas, a medicação é remediativa, diminui os sintomas na maioria dos casos, com efeitos colaterais previsíveis. Sendo assim, é importante que aquele que sofre procure um tratamento psicoterapêutico também, pois, é necessário mudar os padrões de pensamentos e sentimentos, elaborando os conteúdos que levam as inseguranças, medos, frustrações, etc. Assim, alterar os circuitos neurológicos ao ponto de baixar a ansiedade para os graus saudáveis sem a necessidade de medicação. Ou seja, o antídoto para a ansiedade são muitos, entre elas: a conscientização dos conteúdos e dinâmicas inconscientes, auto-conhecimento; mudanças de padrões, ou circuitos neurológicos; elaborar inseguranças, medos, complexos, depressão; e intervenção bioquímica através das medicações psicotrópicas.
Portanto, como em qualquer distúrbio depende de uma questão de grau, de desequilíbrio. Mas, a psique e o corpo, e o ser, tende ao reequilíbrio, então em qualquer distúrbio há a possibilidade de auto-conhecimento e crescimento interno.
Numa visão social, a depressão parece ser um mal(1) da modernidade, principalmente nas grandes cidades. Vivemos sob a pressão do excesso de trabalho, da insegurança das crises de um mundo globalizado, da criminalidade e principalmente do afastamento interpessoal em cidades cada vez mais populosas e individualistas. Nossa sociedade é altamente competitiva e muita vez desvaloriza as questões humanas. O estandarte da eficiência e da produtividade em nome da ordem e do progresso pode massificar severamente os cidadãos, não como uma força externa apenas, mas pior, como uma norma incutida em cada um. O que, quando ao extremo, pode impedir o crescimento pessoal estancando grande parte da humanidade do indivíduo e conseqüentemente da sociedade que faz parte.
As necessidades físicas como alimentação, habitação, saúde, etc. requerem grande parte do nosso tempo e esforço. E as necessidades psíquicas como relacionamentos afetivos, educação, conhecimento, criatividade, acolhimento, laser, etc. costumam ficar em segundo plano. Não desqualificando a importância das necessidades de subsistência, mas também lembrando que o que escolhemos fazer sempre tem haver com nossas necessidades psíquicas a priori. O problema é que no dia-a-dia podemos nos esquecer dos motivos internos que nos levaram a exercer certas escolhas, nos levando a uma cisão, divisão, entre o mundo interno e o mundo externo. Influenciados por uma sociedade normativa e racionalista (patriarcal), nos afastamos do nosso mundo interno, esquecemos das nossas motivações, sonhos, projetos que tinham como finalidade satisfazer nosso desenvolvimento interno.
O distanciamento do mundo interno pode acarretar inúmeros distúrbios psíquicos, visto que o ser humano tem por natureza o seu desenvolvimento pleno (Processo de Individuação). Se observarmos a natureza veremos que todo ser vivo tende ao desenvolvimento pleno. A estagnação do desenvolvimento, causado pelo distanciamento, cisão, trauma, ou qualquer outro motivo pode ser um gerador de patologias.
Podemos classificar pelo menos dois tipos de depressão: a depressão normal (BYINGTON, 2008) e a depressão patológica. A depressão normal pode ser comparada a posição depressiva estudada na psicanálise, onde se atinge uma estado de equilíbrio integrativo, quando compreendemos e aceitamos várias partes da realidade que podemos julgar como boas ou más, agradáveis ou não (ver Função Transcendente e Símbolo). Na depressão patológica não se atinge tal equilíbrio, ou tomada de consciência, a Energia Psíquica “escoa” para o inconsciente deixando a consciência com pouca energia, alterando o funcionamento da pessoa como um todo. Tem-se a sensação de falta de vontade, desânimo, tristeza, angustia. Isso pode ocorrer de forma mais branda e se arrastar por anos (distimia), ou de forma mais forte em momentos de crise, de grandes perdas, traumas, etc., ou mesmo sem motivo aparente (inconsciente), que pode ter duração variável. É claro que quando sofremos grandes perdas é esperado que passemos pela depressão, introspecção, já que precisamos de tempo para a elaboração interna, e assimilação da realidade. Mas, quando este estado depressivo perdura por longo tempo, ou quando não há motivo aparente é sinal que algo se fixou, e se encontra em dificuldade de resolução. O desenvolvimento interno pára, pois a Energia Psíquica não pode fluir em equilíbrio e regride ao inconsciente. Temos a sensação de ter parado no tempo, ou de perdermos a criatividade, o brilho da alma, a inspiração. Podemos nos acostumar com o sofrimento e esperar que o tempo traga a cura. Ou ao invés da postura de entrega, de desistência, podemos procurar uma saída, para nos sentirmos bem, buscar o equilíbrio interno, por exemplo com um tratamento psicoterapêutico.
(1) Assim como a Síndrome do Pânico (fobias) e os Transtornos Alimentares. Pois, o número de casos parecem ter crescido muito nas últimas décadas.
Na vida há muitos momentos marcantes, de conquistas e perdas. São momentos que nos mobilizam intensamente.
Nosso ego tende a lidar com as coisas com posse, com o “eu”, ou o “meu” como referência estruturante. E a realidade nos ensina o quanto é frágil tal postura de posse. Nas, mutações da natureza navegamos nas transformações. E se nos iludimos em um momento iremos nos desiludir em outro. Suportar as frustrações fortalece o ego.
No processo de perda sentimos a falta de algo, que dependendo da importância ou energia que se dava, causa proporcional sofrimento interno.
A princípio pode-se negar a perda. Como uma defesa do ego que se recusa a aceitar a realidade. Parece que não está acontecendo, que a realidade está equivocada. Mas, se desenvolvermos a elaboração da perda de forma sadia, percebemos que o equivoco é nosso, e que algo nos falta.
Depois, ainda defensivamente podemos apenas substituir o faltante por um substituto, e quase nada elaborar. Ou, de forma dolorosa enfrentarmos a dor da falta daquilo que perdemos e seus significados pessoais, conseqüências, nossas responsabilidades, o que deixamos de fazer, o que fizemos de errado, o que foi bom, o que não foi, enfim, julgamos e sofremos a perda. Esta fase pode perdurar por tempo indeterminado dependendo do grau de importância que se dava ao faltante, dos conteúdos a serem elaborados, e da nossa capacidade de elaboração. Aprendida as lições, assimilamos nossas projeções já que o sujeito faltante não se encontra mais em nossa realidade. O que pode gerar crises e conflitos.
Um ditado budista diz que quando perdemos um ente querido despertamos por alguns instantes, mas, logo voltamos a dormir. Creio que quando se trata da perda de um ente querido o grau de importância é muito grande e as projeções, vinculo, e entrelaçamentos da vida são intensas, o que causa um choque, ou trauma, quando nos deparamos com tal perda. O que pode proporcionar além de grande introspecção a quebra dos padrões, ou complexos. Se bem elaborado pode nos proporcionar uma visão mais ampla da realidade. Se a elaboração não se der de forma sadia, pode gerar complexos neuróticos, como qualquer trauma sofrido pela psique. Levando a crises e/ou sintomas diversos como: distimia, depressão, ansiedade, pânico, etc.
Entre o sadio e o patológico há uma questão de grau e elaboração da consciência.
Após a elaboração da perda aprende-se a viver sem o que nos faltou um dia. Nos reequilibramos, o passado fica no passado e o presente não é penoso, mas integro e livre, e novas possibilidades se abrem para o futuro.
Taoísmo - Conceitos Relevantes
Entre as filosofias orientais mais conhecidas está o taoísmo, assim como o budismo, o zen-budismo, o hinduísmo, o xintoísmo. O taoísmo pode ser visto como uma ciência, pois, contém conhecimentos, ou estudos acumulados a respeito do homem e da natureza e das suas interações.
A ciência compõe-se de um conjunto de conhecimentos sobre fatos ou aspectos da realidade (objeto de estudo), expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa. Esses conhecimentos devem ser obtidos de maneira programada, sistemática e controlada, para que se permita a verificação de sua validade. (BOCK, p. 19, 1999)
O taoísmo também pode ser considerado uma filosofia, ou filosofia religiosa. Filosofia enquanto doutrina fundamentada em um conjunto de idéias ou conceitos,
Além de análise, reflexão e crítica, a Filosofia é a busca do fundamento e do sentido da realidade em suas múltiplas formas indagando o que são, qual sua permanência e qual a necessidade interna que as transforma em outras. O que é o ser e o aparecer-desaparecer dos seres? (CHAUI, p.17, 2000)
e religião enquanto doutrina fundamentada no estudo e/ou culto do sagrado,
As especulações em torno desse tema [a origem e o significado da existência humana] formam um corpo de conhecimentos denominado filosofia. A formulação de um conjunto de pensamentos sobre a origem do homem, seus mistérios, princípios morais, forma um outro corpo de conhecimento humano, conhecido como religião. (BOCK, p. 19, 1999)
[...] é importante distinguir os dois ramos do taoísmo: 1. O taoísmo como filosofia (Tao Chia), como doutrina não religiosa; e 2. O taoísmo como religião (Tao Chiao), como culto, seja este profano (taoísmo popular), ou sagrado. O Primeiro é representado pelos conhecidos clássicos dos séculos VI e IV a.C. (Lao-tzu, Chuang-tzu), enquanto o último foi organizado pela primeira vez, como culto influenciado pelo budismo, por Chang Ling (cerca de 150 d.C.), na dinastia Han mais recente, após a introdução do budismo na China por volta do início da era cristã. No entanto, ambas as formas do taoísmo existiram simultaneamente na China antiga, uma ao lado da outra. (MIYUKI, 1995, p. 36)
Diferente da ciência tradicional ocidental, que tem uma característica analítica, ou seja, reparte os seus estudos em diversas partes, faculdades, e/ou áreas, como por exemplo: botânica, engenharia, psicologia. O taoísmo, como ciência oriental, tem característica sintética, ou seja, uma área de estudo se encontra interligada a outras áreas de estudo, como por exemplo: os treinamentos de energia (Chi Kung), têm ligação com a medicina e ambos tem conhecimentos fundados na filosofia. “A mente oriental, quando considera um conjunto de coisas, aceita-o como ele é, mas o ocidental divide-o em pequenas porções, em entidades separadas.” (JUNG, 1987, p. 64, par. 143)
Entender o Tao Gun Chuan como o treino que condensa os três aspectos: “I” medicina, “Chuan” marcial e “Chien” caminho da iluminação, treinamento interior. [...] A filosofia taoísta é a mãe da medicina e da ciência [...] A medicina vista como um todo forma o Tao [...] Treinamento do Tao contém a verdadeira medicina (LIN, [entre 1988 e 1994])
Segundo o mestre Liu Pai Lin (LIN, [entre 1988 e 1994]), podemos estudar o taoísmo baseados em três áreas: a filosofia, a energia e a medicina. Assim, A filosofia se refere aos estudos pertencentes aos princípios teóricos fundamentais. Os estudos da energia (Chi) enquanto, observação, desenvolvimento, quantificação, qualificação, manipulação, circulação, captação, etc. E quanto aos estudos da medicina (medicina tradicional chinesa), conhecimento e manipulação do organismo humano, enquanto patológico ou sadio. Como dito anteriormente, as três áreas se encontram intimamente interligadas. E a separação se faz para facilitar a didática. “A filosofia taoísta é a mãe da medicina e da ciência” (LIN, [entre 1988 e 1994]), “Treinamento do Tao, é também medicina elevada” (LIN, [entre 1988 e 1994].), “Existem três aspectos importantes: Medicina, energia, e iluminação. O Tao Gun Chuan engloba esses três aspectos.” (LIN, [entre 1988 e 1994]).
Gênese Taoísta
No taoísmo existe a teoria a respeito da criação, assim como podemos observar em diversas culturas os mitos de criação. A visão do taoísmo sobre a criação se estende além da explicação do inícios dos tempos, mas faz parte dos conceitos fundamentais que permeiam todas as áreas de estudo desta ciência. Sobre conceitos me refiro a:
O que é compreendido por um termo, em particular, um predicado. Possuir um conceito é ter a capacidade de usar um termo que o exprima ao fazer juízos; essa capacidade está relacionada com coisas como saber reconhecer quando o termo se aplica, assim como poder compreender as conseqüências de sua aplicação. (BLACKBURN, p. 66, 1997).
Uma característica marcante no taoísmo é que as forças que interagiram na criação, na gênese continuam até o presente, ou seja depois de iniciada a criação esta não mais cessou, e tudo então deriva ou se refere em última instancia as leis da criação.
Podemos dividir a gênese taoísta em três etapas: O Extremo Vazio (Wu Chi), A Suprema Unidade (Tao), e as polaridades Yin e Yang (Tai Chi)#
Wu Chi – O Extremo Vazio

Figura 1 - Wu Chi
Todas as coisas sob o Céu nascem no Ser.
O Ser nasce no Não-ser. (TZU, 1987, p. 79)
A figura 1 representa um circulo aberto, aberto porque ainda não tem forma. No entanto, muitos autores representam o Wu Chi como um circulo fechado, ver em WILHELM in TZU, p 178, 1987, em Bloise, p. 36, 2000, entre outros.
Wu Chi se refere ao vazio, no entanto, não é igual à idéia do nada. O vazio ao qual se refere o Wu Chi é o potencial de tudo, de onde vem todas as coisas, por tanto, não se refere ao nada, ao contrário se refere ao germe de tudo. Wu Chi contém tudo que pode vir a ser, existir, mas ainda se encontra na não-exitência, não-ser. Ou seja, tudo que existe antes de existir pertencia apenas à esfera da não-existência, do Wu Chi. Depois que algo passa para esfera da existência expressa o potencial que estava contido na esfera anterior da não-existência.
#O mistério mais profundo do mistério seria então o que é chamado de “Wu Gi” (o não-princípio, que fica além do Tai Gi), no qual todas as diferenças ainda não estão separadas e que se costuma representar simplesmente por um círculo. É apenas, por assim dizer, a possibilidade da existência; é em certo sentido, o caos. (WILHELM in TZU,1987, p. 178)
Tao – A Suprema Unidade

Figura 2 - Tao
O Tao que pode ser pronunciado não é o Tao eterno.
O nome que pode ser proferido não é o Nome eterno.
Ao princípio do Céu e da Terra chamo “Não-ser”.
À mãe dos seres individuais chamo “Ser”.
Dirigir-se para o Ser leva à contemplação das limitações espaciais.
Pela origem, ambos são uma coisa só,
Diferindo apenas no nome.
Em sua Unidade, esse Um é mistério.
O mistério dos mistérios é o portal por onde entram as maravilhas (TZU, 1987, p. 37)
A figura 2 representa um círculo com um ponto no centro. O círculo fechado representa a forma, a totalidade e ao mesmo tempo o ponto representa o centro, a unidade.
Por definição o Tao não é definível, muitos autores mesmo tendo tal conhecimento tentaram de alguma forma comentar a respeito do que vem a ser o Tao. “O Tao que pode ser pronunciado não é o Tao eterno.” (TZU, 1987, p. 37). Sabemos portanto que não é possível apreender o Tao em sua magnificência, ou totalidade, o que podemos é tecer singelos ensaios a seu respeito, já sabendo que por mais que se tente o Tao sempre estará além de qualquer explicação. Assim, irei circundar a idéia do Tao sob alguns aspectos.
Tao é a Realidade Insondável, o Brahman Absoluto, a Divindade Transcendente, que como tal, não é acessível ao nosso conhecimento finito. Tao, o Ser Ontológico, ultrapassa todo o nosso conhecer lógico. Só conhecemos a Divindade Transcendente na forma do Deus Imanente. O nosso conhecer finito finitiza o Ser Infinito. (ROHDEN, 1988, p. 24)
O Tao enquanto unidade e o Wu Chi enquanto vazio, poderiam resultar em um composto matemático como sugere RODEN (1988, p. 24-25),
Em linguagem de matemática diríamos: o “1” representa o Todo da Essência Infinita; o “0” simboliza o Nada da não-Essência; mas, se colocarmos o Nada da não-Essência do lado direito do Todo da Essência, resulta o Algo da Existência: 10, 100, 1000, etc.
Seguindo o raciocínio anterior sobre o Wu Chi, não-existência, podemos dar continuidade afirmando que o Tao se refere à existência, “Ao princípio do Céu e da Terra chamo “Não-ser”. À mãe dos seres individuais chamo “Ser”. (TZU, 1987, p. 37). Mas isso não estaria totalmente correto, pois o Tao também permeia a esfera da não-existência, já que tudo que existe provem do Tao,
Falando do Tao, Lao-Tzu preocupa-se em afastar tudo o que possa lembrar algum tipo de existência. O Tao está num nível totalmente distinto de tudo quanto pertence ao mundo dos fenômenos. É anterior ao céu e à Terra; não é possível dizer de onde vem; é anterior ao próprio Deus. Ele se baseia em si mesmo, é imutável e está em eterna circulação. É o princípio de céu e da Terra, isto é da existência espacial e temporal. É a origem de todas as criaturas; outras vezes é designado também como o ancestral de todos os entes. Há um antigo versículo que o compara ao espírito do vale vazio, o misterioso feminino que flui ininterruptamente semelhante a uma queda-d´água e cuja porta misteriosa é a raiz do céu e da Terra. (WILHELM em TZU, 1987, p. 129)
Tao e Wu Chi de certa forma se confundem, pertencem a uma zona difícil de se distinguir por isso, muitas vezes soam como conceitos similares. Segundo o mestre Liu Pai Lin, o Tao é a energia primordial, “Tao e Wu Chi, são muito difíceis de se definir, mas tentamos definir como aquela energia primordial, aquele vazio primordial.” (LIN, [entre 1988 e 1994].)
Outra forma de explorar o conceito poderia ser através do ideograma Tao, apesar de sua difícil tradução. Segundo Richard Wilhelm (TZU, 1987), “a palavra chinesa parte do sentido de “caminho”, que a partir daí, se amplia para “direção”, “estado” e, em seguida, para “razão”, “verdade”. Outra tentativa de tradução poderia ser:
Mestre LÜ DSU dizia: àquilo que é por si mesmo denominamos sentido (Tao). O sentido não tem nome, nem forma. É o ser uno, o espírito originário e único. Ser e vida não podem ser vistos, está contido na luz do céu. (JUNG, p. 97, 1986b)
Podemos ver o Tao enquanto uma filosofia de vida, visão de mundo, postura diante da vida e da natureza. Na análise do ideograma Tao (Figura 3) o mestre Liu Pai Lin diz: “podemos entender o Tao como “seguir o próprio caminho”, isto é estar de acordo com a natureza.” (SAÚDE, 1994, p.16)
O Tao enquanto vivência, como visto anteriormente, não é apreensível através da mente racional humana, mas pode ser experimentado ou vivenciado,
Se perguntarmos agora o que Lao-Tzu queria dar a entender por Tao, teremos de recorrer a vivências místicas para chegarmos à compreensão. Ele é semelhante a uma concepção como a que encontramos também no Budismo Mahayana. Através do recolhimento e da meditação, chega-se ao estudo de sarmadhi, no qual psique ultrapassa o consciente e submerge nas esferas da superconsciência. Quando são genuínas, essas vivências levam, de fato, para profundezas do ser que ultrapassam a totalidade do mundo fenomênico. A forma exterior dessas ocorrências é conhecida por determinados processos da Parapsicologia e tornou-se objeto de pesquisas científicas. Mas a vivência do próprio Tao jamais será objeto da pesquisa científica. Trata-se, no caso, de um arquifenômeno, no mais elevado sentido, e que só podemos admirar respeitosamente, mas não definir ou sondar. Com a experiência do Tao se passa o mesmo que com todas as experiências imediatas. [...] Toda a Parapsicologia não pode nos proporcionar essa vivência; para compreendê-la é preciso ter passado por ela. Mas, para quem tem uma vivência correspondente as palavras de Lao-Tzu são imediatamente compreensíveis e adequadas pra fazê-lo progredir em seu caminho. (WILHELM em TZU,1987, p. 131)
Meu amigo McDougall tem um aluno chinês e perguntou-lhe: “O que é Tao?” Atitude tipicamente ocidental. O chinês explicou-lhe o que era, e o professor replicou: “Ainda não entendi”. Aí o aluno foi até à sacada e perguntou: “O que o senhor está vendo?” – “Uma rua, casa, gente andando, bondes, movimento”. “O que mais – “Árvores”. “O que mais?” – “Mais à frente há uma colina”. – “E o que mais?” – “O vento está soprando”. O chinês abriu os braços e disse: “Isso é Tao”. [...] Tao pode ser tudo. Uso uma outra palavra para designá-lo, mas ela é muito pobre. Chamo-a sincronicidade. (JUNG, 1987a, p. 63-64, par. 142-143)

Figura 3 - Fonte: Saúde e Longevidade, revista da Associação Tai Chi Pai Lin, 1994, p.16.
Uma história para ilustrar a vivência da unidade, e sua importância para os taoístas:
O discípulo praticava o “sentar na calma”, de repente fica ofegante.
O mestre pergunta “– O que assustou você?”
O discípulo responde “– Ouvi o silêncio, mestre. Eu senti todo o meu ser difuso, como uma nuvem... depois a chuva caiu do céu através de mim. Eu fazia parte de tudo e ainda era eu mesmo.”
Mestre “– Você experimentou a unidade.”
Discípulo “– Sim mestre. Nesta grande alegria, porém, senti como se estivesse morrendo. Foi isso que me assustou.”
O mestre leva o discípulo até uma árvore com bichos-da-seda.
Mestre “– Você conhece a lição do bicho-da-seda?”
Discípulo “– O bicho-da-seda morre, a borboleta vive, mesmo assim não são dois bichos separados, mas apenas um.”
Mestre “– Dá se o mesmo com o homem. Suas falsas crenças devem morrer, de modo que conheça o prazer do caminho. O que você sentiu no silêncio é real. Algo dentro de você está morrendo, e chama-se ignorância.”
(KUNG FU, 2005)
O Tao se aproxima da idéia de Deus, mas não no sentido de um governante antropomórfico, mas no sentido de um princípio gerador da vida e de todos os fenômenos existentes, “O Ser, o Tao, desdobra-se na realidade num mundo de fenômenos” (WILHELM em TZU, 1987,p. 132) como a mãe, ou a origem de tudo, ao mesmo tempo em que está contido em tudo, como uma força vital, o sopro de vida, tão essencial quanto sutil, a ponto de escapulir quando se tenta apreendê-lo até mesmo com o pensamento. É também o sentido de tudo, de onde viemos e para onde voltaremos, o Alfa e o Ômega. Apesar de que, por mais que se tente afastar Dele, todos estamos inteiramente mergulhados Nele, enquanto partes integrantes da Unidade. “o fato de não mencionarem Deus [taoísmo e budismo] evita muita assimetria na consciência [...] o Tao-te King, define o Tao de inúmeras maneiras, sempre cuidando em evitar a unilateralidade, o apego e a assimetria.” (BYINGTON, 1988, p. 72)
Tao significa o Absoluto, o Infinito, a Essência, a Suprema Realidade, a Divindade, a Inteligência Cósmica, a Vida Universal, a Consciência Invisível, o Insondável, etc. Nunca representa um indivíduo, uma pessoa, como Deus nas teologias ocidentais. (ROHDEN, 1988, p. 13).
Como tal, o Tao representa a coincidentia oppositorum par excellence, é “nem... nem” e, simultaneamente, “tanto... como” e abrange todos os opostos, como céu e Terra, homem e mulher, claro e escuro, bem e mal, alto e baixo, grande e pequeno, longe e perto, dentro e fora, importante e insignificante, ser e não-ser, etc. Todos esses atributos formam uma totalidade paradoxal, ao mesmo tempo dinâmica e harmoniosa. Poder-se-ia dizer que todas essas coisas são conceitos relativos, mas falando-se em termos psicológicos, essa coincidentia oppositorum é justamente o que forma o dinamismo da vida e corresponde ao “caráter antinômico do eu, que como tal, tanto é conflito como unidade. (MIYUKI, 1990, p. 24)
Então, temos alguns aspectos sobre o Tao: enquanto dialética entre não-existência e também existência, ser, fenômeno, etc; enquanto totalidade, unidade, infinito, essência, energia primordial, divindade, sincronicidade, etc; enquanto relatividade, sentido, caminho, direção, visão de mundo, etc; e enquanto experimentação, vivência. Estes poucos aspectos já demonstram a abrangência a que se refere o Tao.
Uma tentativa de descrever o indescritível é o uso das metáforas, ou das artes, como a poesia por exemplo, o próprio Tao te King é composto por 81 poemas, escritos por Lao Tsé, considerado o pai do taoísmo. Uma síntese dos aspectos levantados a respeito do Tao enquanto totalidade, energia, caminho e vivência, se encontra na citação com imagens poéticas da autora abaixo,
[...] o tao é como uma rede de energia em movimento contínuo, cheia de ondulações e vibrações, como um rio fluindo eternamente. Todos somos parte integrante dessa rede. A palavra tao significa tanto a ordem do universo quanto o ”caminho” para se harmonizar com essa ordem. (ALMEIDA, 2005, p. 112)
É comum encontrar outras metáforas utilizadas como complementos que especificam algumas características a respeito do Tao: o grande Tao, o pequeno Tao, o médio Tao, o Tao do Céu, o Tao da Terra, a Mãe, o espírito do vale, o espaço vazio da roda, o eixo, o insondável, etc.
Tai Chi – Yin e Yang
O Tao é “Chi” ou energia vital. Existe na natureza uma energia criativa, dois sopros distintos o Yin e o Yang, que se unem num movimento pulsante
fazendo surgir todas as coisas na Natureza. (TAI CHI CHUAN, Liu Pai Lin, 1987)
Mestre Liu Pai Lin resume e interliga os conceitos anteriormente citados e agora acrescentando o Tai Chi (Figura 6), que é a união das polaridades chamadas de Yin e Yang de forma harmônica, equilibrada,
O que é Tai Chi? É Yin e Yang, que unidos é o Tao, a mãe é o Vazio. Tai Chi representa a existência, tendo Yin e Yang. A existência vem da não-existência. Wu Chi é a mãe do Tai Chi. Todas as existências físicas são Tai Chi, que foram surgindo do Wu Chi. (LIN, [entre 1988 e 1994])
Ou seja, o Wu Chi, extremo vazio, e o Tao, a suprema unidade, geram as polaridades Yin e Yang, o “um” gera o “dois”. Uma totalidade pode ser vista com pelo menos dois aspectos: em cima e em baixo, direito e esquerdo, dentro e fora, escuro e claro, masculino e feminino, etc. Mas, quando unidos equilibradamente ainda representam a unidade inicial.
A forma gráfica mais simples para representar a bipolaridade Yin e Yang seria se repartir um círculo ao meio (Figura 4).

Figura 4 – Divisão do círculo
Aplicando o dinamismo da interação entre os opostos e mais a geração apartir do Wu Chi e do Tao, temos o Tai Chi Tu ou Hotu (figura 5) “O Hotu representa a geração do Tai Chi a partir do vazio” (WIKIPÉDIA, Yin Yang (Filosofia), 2008). Continuando a evolução gráfica, temos a representação do Tai Chi com todos os seus aspectos dinâmicos (figura 6).

Figura 5 – Tai Chi Tu ou Hotu.

Figura 6 – Tai Chi.
A teoria das Polaridades Yin e Yang
O ideograma Yin representa “nuvem de chuva” e o Yang representa “os raios de sol”.
Como visto anteriormente, da unidade podemos extrair no mínimo dois aspectos, que no taoísmo são chamados de Yin e Yang. Onde um sempre está relacionado diretamente ao outro, já que ambos provém de uma mesma origem. Por exemplo, Yin enquanto: líquido, sangue, feminino, obscuro, sereno, frio, interior, descendente, inconsciente, noite, etc. E, em contra partida Yang: função, energia, masculino, claro, expansivo, quente, exterior, ascendente, consciência, dia, etc. Percebe-se que neste exemplo as características são contrapontos das características de um com o outro. Ou seja se a amostragem, ou o objeto observado for o dia inteiro, podemos observar os aspectos de dia e noite, ou em uma montanha, o lado claro e o lado escuro. A visão da bipolaridade é expressa com as características chamadas de Yin e Yang, contrapontos da totalidade.
A teoria yin-yang defende que todo objeto ou fenômeno no universo consiste de dois aspectos opostos denominados yin e yang, que são por princípio, conflitantes e interdependentes; além disso, a teoria defende que essa relação entre yin e yang é a lei universal do mundo material, o princípio e a fonte da existência de uma infinidade de coisas e a causa básica para o florescimento e o perecimento das coisas. (ESCOLA DE MEDICINA TRADICIONAL CHINESA DE: BEIJING; SHANGHAI; NANJING; INSTITUTO DE ACUPUNTURA DA ACADEMIA DE MEDICINA TRADICIONAL CHINESA, 1995, p.35)
Dentro do Yin existe o princípio do Yang, dentro do “peixe preto tem o olho branco”, e vice-versa. “O homem aparentemente é yang , yang por fora yin por dentro. A mulher é yin por fora e yang por dentro [...] Dentro do homem tem o princípio da mulher e dentro da mulher tem o princípio do homem.” (LIN, [entre 1988 e 1994]). Dentro de um há a semente do outro, que é chamado de “Jovem” Yin ou Yang. Assim, como na figura 7, no extremo nasce à semente do oposto, no caso o Jovem Yang, que cresce passando pelo Médio Yang, e Extremo Yang, quando surge o Jovem Yin em seu interior, e no declínio Velho Yang, o Jovem Yin começa a crescer. Por exemplo, o dia começa a meia-noite no Jovem Yang. Até cerca de 6:00h. da manhã a energia do dia corresponderá a do Médio Yang. Ao meio-dia corresponderá ao Extremo Yang, quando nasce o Jovem Yin, onde começa a noite. E ao entardecer corresponderá ao Velho Yang. Próximo das 18:00h. a energia corresponderá ao Médio Yin, e a meia-noite no Extremo Yin, quando nasce novamente o Jovem Yang e o dia recomeça. O mesmo se dá com as fases da lua, estações do ano, desenvolvimento humano, ou a outros ciclos, correspondendo a uma curva senoidal.

Figura 7 – O progresso das energias Yin/Yang..